NOVO ANTICORPO QUE PROTEGE RECÉM-NASCIDOS CONTRA A BRONQUIOLITE SERÁ DISPONIBILIZADO A PARTIR DE FEVEREIRO

O RS RECEBEU O PRIMEIRO LOTE DE NIRSEVIMABE, QUE PROTEGE PREMATUROS E CRIANÇAS COM COMORBIDADES DO VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO

O Rio Grande do Sul recebeu neste mês o primeiro lote de nirsevimabe, anticorpo incorporado pelo Ministério da Saúde (MS) ao Sistema Único de Saúde (SUS) para proteger bebês contra infecções graves ocasionadas pelo VSR, uma das principais causas da bronquiolite e da pneumonia. As aplicações começam em fevereiro, e serão realizadas diretamente nas maternidades ou nas unidades de vacinação da rede pública.

A dose única é indicada para todos os prematuros (gestação inferior a 37 semanas) e para crianças de até 24 meses de idade afetadas por comorbidades que aumentam o risco de infecções respiratórias. No último ano, foram registradas no Estado quase 2,6 mil hospitalizações de bebês com até um ano ocasionadas pelo VSR. O pico das internações ocorreu entre maio e julho.

Ao todo, chegaram ao Estado 1.253 doses, sendo 960 de 0,5 ml (para crianças com menos de 5 kg) e 293 de 1 ml (para aquelas acima de 5 kg). A partir da próxima semana, parte dos anticorpos será distribuída pela Secretaria da Saúde (SES) aos 34 Centros Intermediários de Imunobiológicos Especiais e às coordenadorias regionais de saúde, a outra ficará reservada como estoque estratégico.

Neste primeiro momento, a orientação é que famílias e responsáveis consultem a maternidade onde o bebê nasceu ou a unidade básica de saúde (UBS) de referência para verificar a disponibilidade e confirmar datas e locais de aplicação do anticorpo. Novas remessas do anticorpo serão destinadas ao RS conforme a chegada de lotes ao MS.

 

O que é o nirsevimabe?

O nirsevimabe é um anticorpo administrado em dose única que oferece proteção de até seis meses. A dose é segura e já utilizada em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Espanha.

Embora seja aplicado por injeção intramuscular, o nirsevimabe não é uma vacina, que utiliza substâncias capazes de estimular o sistema imune a produzir seus próprios anticorpos.

A aplicação da dose fornece diretamente ao bebê o anticorpo que combate o VSR, protegendo-o imediatamente. Por isso, ele é especialmente importante para recém-nascidos e prematuros, que ainda não têm o sistema imunológico totalmente desenvolvido.

 

Quem deve receber o anticorpo?

Prematuros: todos os nascidos com menos de 37 semanas de gestação podem receber o nirsevimabe durante todo o ano, preferencialmente na maternidade.

Crianças de até 24 meses de idade com comorbidades: terão direito a receber o anticorpo durante a circulação sazonal do VSR (fevereiro a agosto) as crianças com:

cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica;

doença pulmonar crônica da prematuridade (DPCP);

imunocomprometimento grave;

síndrome de Down;

fibrose cística;

doenças neuromusculares graves;

anomalias congênitas das vias aéreas e doenças pulmonares graves.

Se a condição for identificada no nascimento, a aplicação pode ocorrer ainda na maternidade.

 

Locais de disponibilidade

Maternidades do SUS: aplicam diretamente ou solicitam doses à Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE).

Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Crie) e Centros Intermediários de Imunobiológicos Especiais (Ciie): fazem avaliação clínica e aplicação.

Demais unidades de saúde do SUS: aplicam mediante autorização prévia da RIE.

A aplicação fora da maternidade exige apresentação de relatório, laudo ou prescrição médicos que comprovem a condição clínica do bebê.

 

Por que o VSR preocupa?

O vírus sincicial respiratório é um dos principais causadores de infecções respiratórias em bebês, cuja gravidade é maior em menores de seis meses. Ele é transmitido principalmente por meio de gotículas respiratórias expelidas pela tosse, espirro ou fala, além do contato direto com secreções de pessoas infectadas. A transmissão é facilitada em ambientes fechados e pela proximidade com pessoas doentes.

A circulação do vírus ocorre durante todo o ano, sendo mais intensa nos meses frios. Embora muitos casos sejam leves, os bebês mais novos são os principais acometidos por quadros graves, que causam dificuldade respiratória e exigem, muitas vezes, internação em unidades de tratamento intensivo (UTI) e utilização de oxigênio, podendo inclusive levar a criança à morte.

 

Aumento nas hospitalizações e na circulação do vírus

Bebês com menos de um ano representam apenas 1,02% da população gaúcha, mas foram responsáveis por quase um terço das internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no último ano: 6.072 dos 20.608 casos. Entre os menores de 12 meses, o VSR foi identificado em 42,6% das internações no RS, com 2.585 casos confirmados, muito acima do número registrado nos casos de covid-19 (139) e influenza (293). Além disso, as internações pelo VSR mantêm tendência de alta: foram 3.616 casos em 2025, superando as 2,7 mil de 2024 e as 2,2 mil de 2023.

 

Transição do palivizumabe e ampliação do acesso

Com a chegada do nirsevimabe ao SUS, começa a transição do antigo anticorpo usado contra o VSR, o palivizumabe. O novo imunobiológico oferece proteção mais longa e simples, pois precisa de apenas uma dose, enquanto o palivizumabe exigia cinco aplicações mensais. As crianças que já iniciaram o esquema com palivizumabe devem concluir as doses normalmente.

O nirsevimabe também amplia o número de crianças protegidas. O palivizumabe é destinado apenas a prematuros nascidos como menos de 29 semanas de gestação ou para crianças de até 2 anos com DPCP ou cardiopatia congênita grave. A partir de agora, estão sendo incluídos todos os prematuros (gestação inferior a 37 semanas) e as crianças de até 2 anos de idade com outras comorbidades, como doenças pulmonares, cardíacas, imunológicas e genéticas.

 

Prematuridade no Rio Grande do Sul

Segundo os dados mais recentes do Sistema de Informações de Nascidos Vivos referentes a 2024, o RS apresenta um índice 13% de prematuridade entre todos os nascimentos do ano: em 111.988 nascimentos, 14.552 ocorreram antes da 37ª semana de gestação. Desses, apenas 1.078 (menos de 1%) eram elegíveis ao palivizumabe (menos de 29 semanas de gestação).

Na nova estratégia adotada pelo SUS, que passa a oferecer o nirsevimabe para todos os prematuros, a proteção contra o VSR aumenta significativamente. O número de crianças protegidas deve ser 12,5 vezes maior só no caso dos prematuros, sem considerar a inclusão das crianças de até dois anos com comorbidades.

 

Proteção para gestantes

A proteção contra VSR disponibilizada gratuitamente pelo SUS recebeu um importante impulso no final do ano passado com a chegada de uma vacina destinada a todas as gestantes. A dose única é recomendada a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê contra o VSR nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade.

Ao ser vacinada, a gestante produz anticorpos que são transferidos ao bebê ainda durante a gravidez, garantindo proteção desde o nascimento e reduzindo o risco de internações e complicações respiratórias. A imunização ocorre ao longo de todo o ano, integra o calendário de vacinação de rotina da gestante pelo SUS e deve ser registrada na caderneta.

Com essas duas estratégias combinadas – a vacinação de gestantes e a aplicação do nirsevimabe nos bebês elegíveis – o SUS passa a fortalecer a proteção contra o VSR desde a gestação até os primeiros meses de vida, fase em que o risco de complicações é maior. Ao ampliar a prevenção, a medida contribui para reduzir casos graves, diminuir internações e evitar óbitos associados ao vírus.

 

 

Foto: Georgia Moreira/Divulgação SMS/PMPA

Saúde RS

 

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