PROJETO CONTRA REIDRATAÇÃO DE LEITE IMPORTADO ENTRA EM DEBATE NA EXPODIRETO EM MEIO À CRISE DO SETOR NO RS
A crise enfrentada pelos produtores de leite no Rio Grande do Sul será tema de um debate interestadual durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. O encontro ocorre no dia 13 de março, às 9h, no Auditório Central da feira, e reunirá parlamentares, representantes do setor produtivo, agricultores e lideranças para discutir medidas de proteção à cadeia leiteira gaúcha.
O foco da discussão será o Projeto de Lei nº 412/2025, de autoria do deputado estadual Paparico Bacchi (PL), que proíbe a reidratação de leite em pó importado para uso industrial ou alimentício no Rio Grande do Sul. A proposta busca enfrentar o que produtores classificam como concorrência desleal, causada pela entrada crescente de leite estrangeiro no mercado brasileiro.
O debate também analisará os impactos da legislação já adotada em Santa Catarina e no Paraná, estados que aprovaram normas proibindo a prática e passaram a proteger suas cadeias produtivas, aumentando a pressão para que o Rio Grande do Sul adote medida semelhante.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário de forte retração no setor leiteiro. Nos últimos dez anos, o Rio Grande do Sul viu o número de produtores cair de mais de 80 mil para pouco mais de 28 mil propriedades, reflexo da queda de renda no campo e do aumento da concorrência com produtos importados.
Além disso, o preço pago ao produtor vem registrando forte queda. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) indicam que o valor médio pago ao produtor no Brasil chegou a cerca de R$ 1,99 por litro no fim de 2025, após uma desvalorização acumulada de 25,8% ao longo do ano, pressionando a rentabilidade das propriedades rurais.
Para muitos produtores, o valor recebido não cobre sequer os custos de produção, levando ao fechamento de propriedades e à redução da atividade leiteira em diversas regiões do Estado. Segundo o deputado Paparico Bacchi, a situação exige reação urgente do poder público.
“Não estamos tratando de uma pauta ideológica, mas de sobrevivência econômica. O produtor gaúcho enfrenta custos elevados, carga tributária pesada e exigências sanitárias rigorosas. Não é justo competir com leite importado que chega em condições diferentes e pressiona o preço pago aqui na ponta.”
A mobilização em defesa do setor também ganhou força no interior do Estado. O projeto já recebeu mais de 158 moções de apoio aprovadas por Câmaras Municipais e entidades representativas da cadeia produtiva do leite, demonstrando a preocupação das comunidades com o futuro da atividade.
Outro fator que agravou a crise foi a redução da tarifa de importação do leite em pó, que caiu de 11,2% para 4% em decisão federal de 2023, ampliando a entrada de produto estrangeiro no país. Apenas em 2024, o volume importado foi suficiente para encher cerca de dois bilhões de caixinhas de leite de um litro, aumentando a pressão sobre o mercado interno.
Para o parlamentar, o debate na Expodireto representa um passo importante para ampliar o diálogo entre produtores, indústria e poder público. “Não se trata apenas de proteger um setor econômico. O leite sustenta milhares de famílias e movimenta a economia de centenas de municípios gaúchos. Cada propriedade que fecha significa menos renda circulando nas comunidades e menos oportunidades para as próximas gerações.”
O Projeto de Lei nº 412/2025 tramita atualmente na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e, se aprovado, seguirá para votação em plenário.
Jornalista Aline Pietrobeli










