MERCADO CONFIRMA VALORIZAÇÃO DA PECUÁRIA E AMPLIA APETITE POR GENÉTICA BOVINA
O mercado da pecuária chega à metade de 2026 confirmando o movimento de valorização iniciado no segundo semestre do ano passado. A demanda firme por carne, combinada à restrição de oferta no Brasil e em outros grandes produtores mundiais, vem sustentando preços mais altos e criando um ambiente mais favorável para investimentos em genética.
A leitura é da Conexão Delta G, entidade que reúne criatórios das raças Hereford e Braford em um programa de melhoramento genético, que acompanha o reflexo desse cenário sobre diferentes categorias da pecuária. Conforme o diretor da entidade e representante da Estância Silêncio, de Alegrete (RS), Eduardo Eichenberg, os indicadores apresentados recentemente na Exposição Nacional Hereford e Braford e as análises de mercado reforçam uma tendência que já aparece no boi gordo, nos terneiros e nos remates comerciais. “O mercado está demandando carne, e isso gera um efeito positivo em todas as categorias da pecuária”, afirma.
Segundo Eichenberg, o cenário não é exclusivo do Brasil. Outros grandes players da carne bovina, como Estados Unidos, Austrália e Argentina, também enfrentam ciclos de menor oferta, o que contribui para manter o mercado internacional equilibrado. Com demanda aquecida e disponibilidade restrita, a tendência é de sustentação dos preços, influenciando diretamente as decisões dos pecuaristas.
O dirigente observa que esse movimento já se reflete na comparação com 2025. O boi gordo registra valores acima dos praticados no mesmo período do ano passado, enquanto as feiras de outono e os leilões recentes indicam valorização do terneiro. Para ele, esse conjunto de fatores aumenta a segurança do produtor para investir em animais capazes de elevar o desempenho dentro das propriedades. “Quando o pecuarista enxerga a valorização de preços, ele se sente estimulado a investir. A genética acaba sendo favorecida, especialmente aquela que agrega em produção e produtividade”, destaca.
Um dos sinais desse ambiente veio em abril, no leilão Conexão Pampa de Produção, que teve participação da Estância Silêncio e da Estância São Manoel, ambas de Alegrete (RS) e integrantes da Conexão Delta G, além de outros criatórios. A oferta, formada por ventres e vacas prenhas comerciais padrão Hereford e Braford, apresentou valorização de quase 20% em relação às mesmas categorias negociadas na edição de 2025.
Embora seja um remate de gado comercial, Eichenberg avalia que o resultado contribui para aferir o humor do mercado nos próximos meses. “A expectativa é de que os leilões de genética encontrem um ambiente ainda mais favorável, especialmente para animais com avaliação consistente e capacidade de gerar ganhos produtivos nos rebanhos”, ressalta.
Eichenberg pondera que o ciclo de alta também deve elevar o nível de exigência dos compradores. Em um cenário de preços mais firmes, a tendência, segundo ele, é que o mercado diferencie ainda mais os animais de programas consistentes de melhoramento, com dados, seleção e foco em produtividade.
Foto: Estância Silêncio/Divulgação
Texto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective










