AVALIAÇÃO INÉDITA COMPARA CONSUMO E GANHO DE PESO DE BUBALINOS
A 1ª Prova de Eficiência Alimentar de Bubalinos entrou na fase oficial de mensuração, com acompanhamento individual dos animais durante 24 horas por dia. Realizada no Centro de Pesquisas Tropicais em Bubalinos (CPTB), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), a avaliação busca identificar machos capazes de consumir menos alimento sem comprometer o desempenho.
Os dados gerados serão incorporados ao Programa de Avaliação Genética da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB). A prova também conta com a parceria do Instituto de Zootecnia (IZ) e da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf). O período de adaptação, iniciado em 29 de maio, foi concluído antes da abertura da fase de avaliação, em 27 de junho. Caroline de Lima Francisco, doutora e pesquisadora no CPTB, explica que os animais já estão habituados às instalações, à dieta e aos equipamentos eletrônicos utilizados na coleta das informações. “Finalizamos com sucesso a adaptação aos cochos, aos bebedouros, à plataforma de pesagem e à alimentação. Agora estamos oficialmente na fase de mensuração, caminhando para a metade da prova”, afirma.
A avaliação reúne exclusivamente machos de aptidão leiteira e de corte. Os animais vieram da Fazenda Santo Antônio, de Eduardo Haik e André Haik, e da Fazenda Rio Pardo, da família Almeida Prado, propriedades com rebanhos de genética tradicional na bubalinocultura. Cada animal recebeu um brinco de radiofrequência, que permite sua identificação pelos equipamentos instalados no confinamento. O sistema registra em tempo real cada entrada nos cochos e bebedouros, o volume de alimento e água consumido e o comportamento individual ao longo do dia. Caroline relata que as informações ficam disponíveis online para a equipe responsável pela avaliação. “Os animais são monitorados 24 horas por dia. Cada vez que entram no cocho, consomem alimento, bebem água ou apenas acessam os equipamentos, os dados são captados em tempo real”, explica.
No início da fase de mensuração, os pesquisadores fizeram a caracterização individual dos animais. O trabalho incluiu pesagem, medidas biométricas, coleta de sangue e de pelos para futuras análises de marcadores genéticos, e ultrassonografia de carcaça. Os exames de imagem mediram a área de olho de lombo e respectiva espessura de gordura, o marmoreio e a espessura de gordura na região da picanha. Durante o restante da prova, a equipe acompanha continuamente o consumo diário de água e matéria seca, além do ganho de peso apresentado por cada animal.
Ao final, os pesquisadores cruzarão os parâmetros para calcular o consumo alimentar residual e o ganho residual, indicadores utilizados para medir a eficiência real e biológica. A análise permitirá comparar animais que apresentam porte e ganho de peso semelhantes, mas que necessitam de quantidades diferentes de alimento para alcançar o mesmo desempenho. A pesquisadora compara a avaliação a um exame capaz de revelar características que não podem ser identificadas apenas pela aparência dos animais. “A prova funciona como um raio X. Ela mostra que animais aparentemente iguais, com o mesmo porte e ganho de peso, podem apresentar consumos completamente diferentes”, observa Caroline.
A partir dessa comparação, será possível identificar os bubalinos que aproveitam melhor os nutrientes oferecidos pela dieta e expressam seu potencial genético com menor consumo. A alimentação fornecida durante a prova é balanceada e já havia sido validada em estudos anteriores realizados pelo CPTB da Unesp. Segundo Caroline, os custos com alimentação podem representar entre 60% e 70% das despesas de uma propriedade. A identificação de animais mais eficientes pode ajudar o produtor a reduzir esse peso sem comprometer características ligadas à produção de carne ou leite.
Os participantes já haviam passado por uma seleção prévia nas propriedades de origem e foram escolhidos pelo potencial genético para outras características produtivas. “Ao identificar animais superiores em eficiência, oferecemos ao produtor uma ferramenta para selecionar futuros reprodutores que poderão contribuir para rebanhos mais produtivos e com menor custo alimentar”, afirma.
Os resultados também poderão orientar a utilização dos animais nos próprios rebanhos, a comercialização de tourinhos e sêmen e a compra de genética previamente avaliada. A expectativa é que a eficiência alimentar passe a integrar os critérios utilizados pelos criadores na seleção de bubalinos de corte e leite. A prova alcançará 50% do período de avaliação em 24 de julho. A etapa será encerrada no final de agosto, com nova pesagem, ultrassonografia de carcaça e coleta de medidas biométricas, e a divulgação dos resultados está prevista para 30 de agosto. Já há procura para uma segunda Prova de Eficiência, prevista para 2027.
Foto: Divulgação
Texto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective










