LEOCIR MÜLLER RIBEIRO, O LÉO KAIGANG, É O PRIMEIRO MÉDICO INDÍGENA FORMADO PELA UFRGS
Em sua página social pelo facebbok, Leocir Müller Ribeiro, o Lèo Kaingang, destaca com muito orgulho ser o primeiro médico formado pela UFGRS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Seus pais, o professor Levino Amaral e sua mãe Rosemeri Müller e familiares, residem no setor Irapuá – Terra Indígena do Guarita, em Redentora.
Leia a mensagem de Léo Kaingang postado em sua página no facebook:
“Enfim, médico formado pela UFRGS.
Quando entrei na universidade, ainda desconhecia a dimensão de uma universidade federal e tudo o que ela poderia representar. As ações afirmativas não proporcionaram apenas a mim essa oportunidade, mas abriram caminhos para tantas pessoas que, em outras condições, talvez jamais tivessem tido a chance de ocupar este espaço e se tornarem aquilo que sonharam.
Minha trajetória até aqui também não foi linear. Em determinado momento, decidi trocar de curso e encarar seis anos de Medicina. Foi uma escolha que exigiu coragem, renúncias, dedicação e, muitas vezes, acreditar em mim mesmo quando o caminho parecia difícil demais.
Mas eu nunca caminhei sozinho.
Meu filho Antônio, minha maior referência e minha maior motivação. Um menino de 9 anos que, mesmo sem talvez compreender toda a dimensão dessa caminhada, esteve presente em cada sonho, em cada renúncia e em cada conquista. Tudo isso também é por ele, para que um dia possa olhar para a minha trajetória e saber que podemos sonhar grande, acreditar e ir atrás daquilo que queremos.
Minha mãe e meu pai, minhas maiores referências de vida. Foram eles que, quando decidi mudar de curso e seguir o caminho de seis anos da Medicina, acreditaram em mim e me deram toda a força necessária para enfrentar os seis anos que viriam pela frente. Nos momentos de dúvida, foram meu porto seguro. Essa conquista jamais seria possível sem o amor, o apoio e a confiança deles.
Hoje, tenho a honra de me tornar o primeiro médico Kaingang do Território Indígena do Guarita.
Eu sou o primeiro, mas não quero ser o último.
Quero que minha trajetória sirva de espelho. Quero que outras crianças e jovens indígenas possam olhar para mim e acreditar que também podem ocupar uma universidade, uma sala de aula, um hospital, um consultório. Quero que possam enxergar possibilidades onde antes talvez só existissem barreiras”.
Foto: Rede social
Rádio Planeta FM 102.7










